Alguns aspectos psicossociais do esporte que interferem no rendimento do atleta      

Entre diversas variáveis externas que atuam na formação e rendimento de um atleta, podemos considerar a família uma influência inicial. 

A integração do jovem na sociedade sofre influências inicialmente dos pais, do professor e outros grupos como por ex: uma equipe esportiva.

Observamos que grupos de uma determinada sociedade ou de um mesmo nível sócio econômico, que cada indivíduo se insere, nos mostram que a relação dos pais com o jovem pode ser de diferentes aspectos. Em qualquer cultura a aprendizagem dos filhos é passada pelos pais de geração a geração através de rituais, crenças e costumes.

A cultura é significativa na interação dos pais com os filhos, é o que os estudos da psicologia nos aponta. O tipo de educação que cada pai confere ao seu filho acaba  interferindo e co-relacionando com a personalidade do mesmo, sendo que alguns pais são liberais outros autoritários e assim por diante.

Um atleta pode se sentir incomodado com a presença dos pais, quando está em atividades, isto pode ocorrer devido ao um mau relacionamento entre eles, dentro de casa. A imagem que os pais passaram, durante toda a infância do filho, pode causar algum trauma e o filho cresce com certo receio de se expor diante dos pais. MACHADO (1977). O contrário pode ocorrer também, através de atletas que se sentem bem com a presença dos pais ou amigos e parentes, neste caso pode haver melhora da performance, para mostrar à todos aquilo que foi conseguido. Portanto o relacionamento, a criação, as lembranças e os acontecimentos dos fatos que marcaram sua vida, tudo isso vai influenciar o atleta em seu modo de agir no inicio do treinamento e na competição.

Esta interferência terá uma conotação que irá de positiva a negativa, dependendo da forma como vir a ser trabalhada no decorrer das fases preparatórias que acontecerão do aprendizado à competição. A presença dos pais, nos jogos, nos treinos ou em qualquer outro lugar, vai despertar alguma reação no atleta seja ela de contentamento ou não, de aprovação ou não, apenas não vai passar despercebida ou sem exercer influências. MACHADO (1994).

A  importância da família se revela, não como núcleo que cobra resultados e retornos, mas como uma célula  que apresenta um real valor a partir dos vínculos e de uma boa educação. Esse ambiente de afeto deve ser ampliado também, para os amigos na perspectiva de construção de redes de apoio. As famílias que têm em um de seus membros a possibilidade de êxito profissional, por exemplo: de se tornar um jogador de futebol profissional, ficam deslumbradas com a possibilidade de um futuro “maravilhoso” para si, cheio de conforto, fama, bem-estar e dinheiro.

Esta família constrói então uma relação de excessiva cobrança deste filho/atleta por resultados palpáveis, deixando de lado uma convivência natural e normal, reproduzindo nas relações afetivas, as relações de mercado, esquecem que apenas poucos conseguem alcançar um status de sucesso.

É necessário que a família esteja unida e entenda as limitações e desejos de cada um, apoiando no sucesso quando preciso for, mas também estando aberta e preparada para os fracassos dos planos, pois este também é um momento bastante oportuno para o fortalecimento de vínculos. Necessita preparar-se para receber o filho/atleta no caso de um insucesso, como o filho “pródigo” que retorna para encontrar o apoio e a atenção necessária na construção de novos projetos de vida.

Em face de uma realidade existente em muitas escolinhas e clubes de futebol, a assistência social e psicologia do esporte tornaram-se áreas de grande relevância na formação e rendimento de um atleta, mas quantos deles se perdem pelo caminho não alcançando seus objetivos, se frustram e não conseguem conduzir sua vida normalmente sem carregar consigo essas frustrações. Porque não raro, são os atletas que se originam de famílias desestruturadas e que encontram no futebol ou em outra modalidade uma única saída de se obter êxito na vida.

Devemos ter no currículo de formação as áreas de Psicologia e Assistência Social, estas que, interferem efetivamente no crescimento do atleta/cidadão, para que possam ter estruturas emocionais e direcionamento profissional caso não se tornem jogador de futebol ou atleta profissional (com sucesso e estabilidade financeira).

Este tema “família” como uma importante variável externa no rendimento do atleta, ainda ocupa pouco espaço em nossa literatura esportiva.

Estas simples considerações, entre outras finalidades, querem provocar reflexões e fomentar mais trabalhos e pesquisas, além da possibilidade de inclusão do psicólogo e assistente social nos projetos esportivos, escolinhas e clubes, a fim de tornar-se parte na compreensão da formação e rendimento de um atleta, assim sendo certamente em breve, poderemos ter muito mais atletas/cidadãos com sucesso seja no esporte ou fora dele, tamanho os benefícios que podem causar à sociedade, ao esporte e a família.

 José Luiz Correa

Graduado em Educação Física pela Universidade de Mogi das Cruzes, Pós Graduado em Futebol Profissional  pela USP, Gestor Esportivo e ex- atleta de futebol.

Contato: joseluiz.correa@hotmail.com